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foto: Euler Sandeville Jr., paisagem de luz e água, março de 2018



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desenho de Euler Sandeville Jr., Ubatuba, 2007.


Nota: a tradução habitualmente utilizada neste sítio é a de João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada (ARA), algumas vezes a João Ferreira de Almeida Atualizada (JFA). Quando utilizar outra tradução neste sítio isso será indicado através da abreviatura: KJA (King James Atualizada), FL (Frederico Lourenço), BJ (Bíblia de Jerusalém).


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I.BUSCAR A DEUS: 
I.01. MUDAR E APRENDER
Euler Sandeville 16/06/2018

 

Fiquei esses dias olhando na mente as velhas fotos e desenhos, as centenas de poesias que ao longo da vida escrevi com intensidade e paixão, como indagação no limiar. Por que as guardo? Não as vivo mais, pertencem a outros tempos, embora seus significados não possam ser retirados de mim. Pergunto-me se os objetos e imagens do passado ainda podem servir para algum aprendizado, ou se é apenas uma forma de reter o que foi vivido com suas ilusões e inquietações mais profundas, uma forma de apego.

Velhos rostos que me são saudosos me povoam, quer os veja ou não; os erros e acertos, os excessos, os desejos, as lembranças, a insanidade, pessoas e condições que fizeram parte de mim. Olhar tudo isso me dá um arrepio no coração; é falar comigo mesmo, mas de um ponto novo onde agora estou, ainda em vir a ser. Ter guardado alguns desses registros que consumiram com tanta intensidade minha existência e pessoas com as quais a reparti é só uma confirmação, uma janela do que vemos no íntimo quando nos recolhemos e refletimos, meditamos sobre o vivido.

Pensei muito nisso, que o homem sempre pisa seus próprios passos. Se for assim, ainda que vejamos coisas novas, não saímos muito do lugar, do campo já descortinado e apenas o contemplamos por vezes de outra forma, por vezes novamente. É inevitável ser assim ou podemos pisar passos que ainda não foram caminhados? Percebemos – ainda que não plenamente – o que repisamos e, muitas vezes, o porque. Ainda que reconhecendo essas marcas que ficam, pode ser importante superar esse repisar, esse repetir-se tornando novo, escolher outro caminho, mesmo sabendo que levaremos algo do nosso modo de coxear.

Perguntou-lhe, pois: Qual é o teu nome? E ele respondeu: Jacó. Então disse: Não te chamarás mais Jacó, mas Israel; porque tens lutado com Deus e com os homens e tens prevalecido. Perguntou-lhe Jacó: Dize-me, peço-te, o teu nome. Respondeu o homem: Por que perguntas pelo meu nome? (Gênesis 32.27-29)

A vida com Deus em Cristo é um ato de fé e é uma experiência maravilhosa. Exige amadurecimento, mudança real e íntima, transformação, reconhecimento e consciência de onde se está, de quem se é, de porque fazemos assim ou de outro modo e o que escolhemos, no íntimo, durante esse caminhar. Conversão. Humildade e firmeza. Estar diante de situações em que é necessário reaprender tudo não poucas vezes, em que o amor de Deus convida a ser melhor e ao mesmo tempo é necessário reconhecer os próprios vícios, os hábitos, os erros que ficam arraigados, as justificativas que os encobrem. Queria ser melhor, embora tenha melhorado. Dou graças a Deus pelo que melhorei, pelo que superei, e vejo que ainda não sei muitas das coisas mais básicas, de como lidar com as situações de injustiça, de desejo, de medo, de vontades em efusão no ar das individualidades nas quais temos de nos construir, inserir, aprender a ser.

Tenho que pensar mais profundamente o que quero dizer no contexto em que vivo, e como. Tenho que ver como lido com os caminhos que me trouxeram até aqui, discernir os acúmulos que a vida significa em sua atração força renovadora e, sobretudo, para onde quero ir. Tenho que enfrentar as coisas que não superei ainda, e nesse mundão não me identifico com o que estamos vivendo, suas narrativas, seus discursos, seus controles, seus acordos de comprometer os sentidos transformando-os em espectros meio descarnados, meio tudo, meio nada. Isso me levou e tem levado a uma reflexão profunda – no singular e no plural – sobre o que mudamos, o que guardamos – o que mudei, o que guardei – como, e porque. Não pertenço a este tempo, e nele existo. As contradições, as coisas em que gostaria de ter melhorado mais, aquelas em que já melhorei muito, aquelas em que tenho dificuldades que não gostaria mais de ter, as qualidades que me levam adiante renovam-se diante de mim e me convidam a aprender a caminhar segundo a Palavra, a não temer, a olhar desde o que está próximo até o horizonte e ver além. Ver melhor a mim mesmo, é árdua essa experiência. Mas este ainda não é o alvo, é necessário ver além de mim mesmo.

Hora de caminhar. Na busca com Deus.

      








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uma proposta de Euler Sandeville Jr.


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