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foto: Euler Sandeville Jr., Itatiaia, 2006


Nota: a tradução habitualmente utilizada neste sítio é a de João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada (ARA), algumas vezes a João Ferreira de Almeida Atualizada (JFA). Quando utilizar outra tradução neste sítio isso será indicado através da abreviatura: KJA (King James Atualizada), FL (Frederico Lourenço), BJ (Bíblia de Jerusalém).


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II.06. O MEDO
Euler Sandeville Jr., 04 de novembro/ 29 de dezembro de 2018

Nesses dias o medo, real ou imaginado, difuso ou intencionalmente produzido, tornou-se um grande tema (é necessário distinguir aqui o medo, que é destrutivo de si e do outro, da prudência, que restaura, preserva e constrói). O medo amplificado é difundido recorrentemente na sociedade, permeando ou imobilizando de modo até invisível e difuso outros temas fundamentais da vida.

O medo e o ódio (a negação do amor) são ambos covardes e em certo ponto correlatos, têm raízes comuns na falta de amor e de confiança em si e no semelhante. Muitas podem ser as causas do medo, reais ou amplificadas pela insegurança: o medo de perder o emprego, de não conseguir ou ser suficiente para algo, de não ter o bastante para o que pensa serem as necessidades, de não agradar ou não merecer o afeto e assim por diante, sendo que nesses casos pode haver muito de ansiedade (a antecipação exagerada da derrota). Pode ainda ser o medo eminente de ferir-se psíquica ou fisicamente em uma situação adversa ou ao defrontar-se com uma força violenta como no crime. Em todos esses casos, o medo limita e coage as possibilidades da vida e da realização pessoal e social. O medo, como o ódio, nasce da vontade de destruir, e destrói. Sua base é a perversidade e o egoísmo.

O medo, portanto, tem sido um tempero nefasto em nossa sociedade e atravessa muitos dos impasses atuais. Até no exercício da cidadania e da liberdade e responsabilidade social o medo se coloca, sendo posto como causa de motivação tal como vimos de parte a parte nestas últimas eleições. Mas não se resume nem surge aí, ao contrário, isso é apenas sintomático. O medo está enraizado nas relações sociais. Portanto, seja da força bruta, seja das condições de vida, seja de um outro que nos assombra, coloca-se em uma evidência indisfarçável a condição sombria que permeia nossa sociedade.

É hora de encarar isso, o medo e o ódio que marcam e mascaram nossa sociedade decorrem do desamor das relações interpessoais e até mesmo da intimidade mal resolvida de cada um consigo. Porque o medo tem muitas faces, a daquele que sente o medo, a daquele ou daquilo que promove o medo. O que promove o medo tem uma atitude cruel, que muitas vezes tem origem em sua própria insegurança ou incapacidade e em seu ódio e inveja, como uma forma destrutiva de defesa e de não enfrentar as próprias contradições, passando a destruir o outro para se afirmar. É, portanto, covardia.

Diante de um quadro como esse que se dissemina na sociedade, desemprego, violência, injustiça, ameaças, fico pensando como devem os cristãos lidar com essas condições. Talvez não possamos mudá-las, mas como devemos pensar e agir diante de quadros assim? Para os cristãos, é necessário pensar isso a partir das Escrituras, creio que não reste dúvida quanto a isso. Mas será que as Escrituras dizem algo sobre um tema tão presente?

Na verdade, dizem, e com muita clareza. A primeira questão é se de fato o medo é uma condição negativa (não me refiro, como disse, à prudência que preserva). Se procurarmos nas Escrituras, sob todos os pontos de vista, veremos que o medo é inteiramente contrário a Deus! Se você está entregue à geração do medo, não tenha dúvida, você está se opondo a Deus.

Primeiro, porque desconhece o amor que Ele nos tem. Aquele que produz o medo nega um princípio básico das Escrituras, por essa razão. A imposição pelo medo, além de revelar arrogância e prepotência de quem o impõe, revela falta de temor a Deus ao violar o mandamento central de Deus que é o amor pelo próximo. O amor a Deus e ao próximo, nos disse Jesus, é o mandamento maior para quem se aproxima d'Ele.

Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor é de Deus; e todo o que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor. [1 João 4:7,8]

No amor não há medo antes o perfeito amor lança fora o medo; porque o medo envolve castigo; e quem tem medo não está aperfeiçoado no amor. Nós amamos, porque ele nos amou primeiro. Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, não pode amar a Deus, a quem não viu. E dele temos este mandamento, que quem ama a Deus ame também a seu irmão. [1 João 4:18-21]

Em uma palavra, o medo é falta de amor.

Novamente, o medo é pecado, que significa separação de Deus, porque também é falta de fé. Se você haje com prepotência, coloca-se no lugar do Altíssimo, não confia a Ele a sabedoria e a condução das coisas. Se você se deixa tomar e conduzir pelo medo, mesmo quando há uma causa, embora seja legítimo temer as ameaças, também aí pode haver falta de fé, de saber que o Senhor, criador de todo o universo, de todas as coisas e seres que existem, sustenta tudo pelo seu poder.

Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem. Porque por ela os antigos alcançaram bom testemunho. Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê. [Hebreus 11.1,2]

Não poucas vezes Davi cantou essa confiança nos Salmos. Mas se você entre aqueles que usam o medo como arma e estratégia para suas realizações pessoais e sociais, entre aqueles que afligem o mais fraco, não tenha dúvida, você está contado entre os ímpios, entre aqueles que se opõem a Deus.

Diz o néscio no seu coração: Não há Deus. Os homens têm-se corrompido, fazem-se abomináveis em suas obras; não há quem faça o bem.
Senhor olhou do céu para os filhos dos homens, para ver se havia algum que tivesse entendimento, que buscasse a Deus.
Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos; não há quem faça o bem, não há sequer um.
Acaso não tem conhecimento nem sequer um dos que praticam a iniqüidade, que comem o meu povo como se comessem pão, e que não invocam o Senhor?
Achar-se-ão ali em grande pavor, porque Deus está na geração dos justos. Vós quereis frustar o conselho dos pobres, mas o Senhor é o seu refúgio.
Oxalá que de Sião viesse a salvação de Israel! Quando o Senhor fizer voltar os cativos do seu povo, então se regozijará Jacó e se alegrará Israel.
[Salmo 14]

Se você está entre aquele que sofrem a intimidação, veja, o problema não é sentir medo, ou estar intimidado por uma situação maior do que nós, mas não confiar e não perceber a grandeza de Deus. Abraão teve medos e receios, mas confiou no Senhor, e assim foram Moisés, Isaías, Jeremias, Daniel, Habacuque e tantos outros. É disso que nos fala Hebreus capítulo 11. As Escrituras não nos deixam nenhuma possibilidade de cristianismo teórico ou nominal, mas de vida cristã, isto é, vida com Cristo.

E que mais direi? Pois me faltará o tempo, se eu contar de Gideão, de Baraque, de Sansão, de Jefté, de Davi, de Samuel e dos profetas; os quais por meio da fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam a boca dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam ao fio da espada, da fraqueza tiraram forças, tornaram-se poderosos na guerra, puseram em fuga exércitos estrangeiros. As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; e outros experimentaram escárnios e açoites, e ainda cadeias e prisões. Foram apedrejados e tentados; foram serrados ao meio; morreram ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, aflitos e maltratados (dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos e montes, e pelas covas e cavernas da terra. [Hebreus 11.32-38].

Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. Amados, se Deus assim nos amou, nós também devemos amar-nos uns aos outros. Ninguém jamais viu a Deus; e nos amamos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é em nós aperfeiçoado. Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele em nós: por ele nos ter dado do seu Espírito. E nós temos visto, e testificamos que o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo. Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus. [1 João 4:10-15]
      








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