a busca por Deus

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foto: Euler Sandeville Jr., Itatiaia, 2006


Nota: a tradução habitualmente utilizada neste sítio é a de João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada (ARA), algumas vezes a João Ferreira de Almeida Atualizada (JFA). Quando utilizar outra tradução neste sítio isso será indicado através da abreviatura: KJA (King James Atualizada), FL (Frederico Lourenço), BJ (Bíblia de Jerusalém).


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INTRODUÇÃO À BÍBLIA: AS DUAS ALIANÇAS A QUE CHAMAMOS DE ANTIGO E NOVO TESTAMENTOS
Euler Sandeville Jr.
São Paulo, primeira versão em 28 de abril de 2016, redação atual em 14 de dezembro de 2018

 



1. a Bíblia é a Palavra de Deus


Se você não está muito familiarizado com a Bíblia (do grego βιβλία, plural de βιβλίον, transl. bíblion, "rolo" ou "livro"), é importante entender que para os cristãos é a Palavra de Deus. Essa coleção de livros sagrados forma para nós um único livro, através do qual conhecemos a Deus, Sua vontade, e pelo Seu Espírito Santo somos edificados e vivificados para a comunhão com Ele, sua adoração, seu serviço. Esta é a nossa alegria.

Esse conjunto de livros está dividido em duas coleções, que se referem basicamente a duas Alianças de Deus com os homens. A essas coleções normalmente denominamos como Antigo e Novo Testamentos. O Antigo Testamento são as Escrituras sagradas dos judeus (ou hebreus), que os cristãos também creem inspiradas por Deus. O Novo são um conjunto de escritos realizados algumas décadas depois da morte e ressurreição de Jesus.

A palavra Testamento talvez não seja a melhor para dizer a que se referem esses livros, que eram chamados pelos antigos como Escrituras. São na verdade duas Alianças recentes de Deus com a humanidade, a Lei dada a Moisés no Sinai, e a redenção dos pecados dada por Deus através da morte e ressurreição de Jesus. Por isso, neste sítio, por vezes irei utilizar a palavra Aliança, como Jesus disse na páscoa, antes de ser oferecido para remissão de nossos pecados (a palavra pacto também é traduzida como aliança):

“Enquanto comiam, Jesus tomou o pão e, abençoando-o, o partiu e o deu aos discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. E tomando um cálice, rendeu graças e deu-lhes, dizendo: Bebei dele todos; pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto [aliança], o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados. Mas digo-vos que desde agora não mais beberei deste fruto da videira até aquele dia em que convosco o beba novo, no reino de meu Pai. E tendo cantado um hino, saíram para o Monte das Oliveiras” (Mateus 26.26-30).

A carta aos Hebreus deixa mais claro isso. Nela, o que lemos no Antigo Testamento é chamado de Primeira Aliança, e o que nos apresenta o Novo Testamento é chamado de Nova Aliança. O que define essas Alianças? Simples: atos de Deus.


2. as duas Alianças


Ao ler os livros referentes à Antiga e à Nova Aliança, ou trechos deles, é ainda importante que se entenda que um longo período de tempo as separa, por vezes, um milênio ou mais. Foi escrita por cerca de 40 autores, entre 1500 e 450 a.C. (os livros da Primeira Aliança) e entre 45 e 90 d.C. (os livros da Nova Aliança).


2a. a Primeira Aliança


O Antigo Testamento (a Primeira Aliança) refere-se aos ensinamentos de Deus que foram confiados aos hebreus e de como deveriam proceder até à vinda do Messias (que significa Ungido, que em grego se traduz como Cristo), através de quem se cumprem as promessas feitas a Abraão de que de sua descendência seriam abençoadas todas as nações da terra. Os judeus creem que Jesus não foi o Messias, o ungido, e ainda esperam que venha; os cristão creem que Jesus é o Cristo, e aguardam sua volta que, para ambos, marca o fim dos tempos como os conhecemos. Há nesses livros alguns trechos de difícil compreensão, porque foram progressivamente escritos entre 1.500 (ou 1.200) e 400 antes de Cristo, ou seja, cerca de até 3.500 anos atrás, eventualmente a partir de textos fragmentados ainda mais antigos, em épocas e contextos históricos e culturais muito diferentes dos nossos. No entanto, são essenciais para nossa instrução no caminho de Deus.

A Primeira Aliança é inaugurada de modo nítido após o Êxodo, quando no Sinai Moisés recebe a Lei de Deus, os modelos celestiais de como deve ser o culto, e como devem ser os sacrifícios pelo pecado no vigor dessa Primeira Aliança. Na verdade, ela começa um pouco antes, nas promessas de Deus a Abraão, e na instituição da circuncisão, e mesmo antes. De certo modo, as duas Alianças já estão anunciadas nas promessas proféticas feitas desde Adão.

Os livros que estabelecem essa primeira Aliança são chamados de Pentateuco (cinco livros), a Torá dos judeus. O livro do Gênesis trata dessa primeira parte das promessas e nos conta a criação do mundo, a promessa feita a Abraão (provavelmente cerca de 2.000 a 1.800 antes de Cristo), até a história de José. Os demais quatro livros do Êxodo a Deuteronômio, tratam da Lei desde o seu recebimento (entre cerca de 1.500 e 1.200 antes de Cristo) narrado no livro do Êxodo, selando essa primeira Aliança, que haveria de vigorar até o sacrifício de Jesus, o Messias prometido.

A estes 5 livros seguem-se outros 34 livros (na organização cristã, ou na organização dos hebreus 19 livros, porque alguns estavam reunidos inicialmente em um único livro), com poesias, história, profecias, biografias e os ensinos de sabedoria. Esses livros narram a história da nação de Israel e Judá, a sabedoria e os cânticos, os julgamentos e redenções de Deus até o retorno do cativeiro (cerca de 430 antes de Cristo). São, portanto, 39 livros nas coleções cristãs (Antigo Testamento), correspondendo aos mesmos 24 das coleções judaicas (TaNaKh).

O que acontece após esse retorno e o nascimento do Cristo não é narrado nessas coleções ditas canônicas, configurando o chamado de período interbíblico, mas é narrado em livros chamados deutrerocanônicos, que não integram as Escrituras para judeus e protestantes, mas as integram na perspectiva católica e ortodoxa (explicaremos melhor essas diferenças em outros artigos desta seção).


2b. a Nova Aliança


A Nova Aliança é feita pelo sangue derramado de Jesus, tipificado nos sacrifícios da Primeira Aliança. Os livros da Nova Aliança são formados pelos quatro Evangelhos que narram a vida de Jesus e pelo livro de Atos, que narra o início da igreja, por diversas cartas, quase todas escritas pelos apóstolos, e pelo Apocalipse, que é um livro profético. Esses livros foram escritos aproximadamente entre 50 e 90 depois de Cristo. São 27 livros, todos escritos poucas décadas após a vida de Jesus descrita nos evangelhos.

O Novo Testamento (Nova Aliança) começa apresentando quem é Jesus e com o seu nascimento (por volta de 8 a 4 antes de Cristo), o Messias esperado, chamado no Antigo Testamento de “Deus Forte” e “Deus conosco”, segue apresentando seu ministério e se consuma com sua morte e ressurreição por volta do ano 30 depois de Cristo, na qual foi firmada a Nova Aliança.

“Agora, com efeito, obteve Jesus ministério tanto mais excelente, quanto é ele também Mediador de superior aliança, instituída com base em superiores promessas. Porque, se aquela primeira aliança tivesse sido sem defeito, de maneira alguma estaria sendo buscado lugar para uma segunda.
E, de fato, repreendendo-os, diz:
Eis que virão dias, diz o Senhor, em que estabelecerei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma nova aliança. Não segundo a aliança que fiz com seus pais no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; pois não permaneceram na minha aliança, e eu não atentei para eles, diz o Senhor. Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor; na sua mente imprimirei as minhas leis, e em seu coração as escreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo; e não ensinará cada um ao seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até o maior. Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados não me lembrarei mais.” (Hebreus 8.6-12).

O livro de Hebreus no trecho acima está citando profecias das Escrituras judaicas (nosso Antigo Testamento), indicando que haveria uma Nova Aliança, e que esta permaneceria para sempre, porque os pecados seriam removidos. Qual a base dessa Nova Alainça? Ainda lemos na carta aos Hebreus:

“quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo! E por isso é mediador de um novo pacto, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões cometidas debaixo do primeiro pacto, os chamados recebam a promessa da herança eterna” (Hebreus 9.14-15).

Os livros da Nova Aliança não revogam o sentido espiritual das coisas antes reveladas, ao contrário as transbordam e apresentam os preceitos de como devemos aguardar até sua volta, quando todas as coisas serão enfim consumadas. Só então todos estaremos diante de Deus, e não haverá mais a representação das coisas celestiais na Terra; cada um será julgado conforme seu coração e suas obras. Apesar de continuarem na terra as sombras das coisas espirituais, o cristão na Nova Aliança já não se move por elas (ou não deveria), porque é um peregrino em direção a uma cidade e a uma pátria futura, que não está aqui nem se rege pelas práticas atuais, cujo estatuto é o evangelho da paz em Cristo e a adoração e o perdão devem ser buscados na intimidade com Deus:

A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito. Então, lhe perguntou Nicodemos: Como pode suceder isto? Acudiu Jesus: Tu és mestre em Israel e não compreendes estas coisas? Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto; contudo, não aceitais o nosso testemunho. Se, tratando de coisas terrenas, não me credes, como crereis, se vos falar das celestiais? Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do Homem [que está no céu]. E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna.(João 3.2-15)

É essa a condição implicada na Nova Aliança, uma realidade espiritual nova que significa um novo nascimento, a vida eterna em Deus. Essa condição de superação dos antigos símbolos, dos lugares e dos ritos como expressão espiritual que é da natureza da Nova Aliança é o que refere Jesus, ao falar das revelações de Deus recebidas pelos judeus e seu transbordamento para uma nova aliança, que, veja bem, não se epxressa mais nos ritos, lugares, símbolos e leis, mas na comunhão espiritual:

Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. 23 Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores. Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade. (João 4.22-24)

A redenção de Deus proporcionada em Jesus por sua morte e ressurreição é o perdão dos pecados e a libertação da morte e da condenação, e ainda mais. É o único caminho para que aquele que ama e escolhe servir a Deus possa na consumação dos tempos estar em sua Santa presença.

      








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