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foto: Euler Sandeville Jr., Itatiaia, 2006


Nota: a tradução habitualmente utilizada neste sítio é a de João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada (ARA), algumas vezes a João Ferreira de Almeida Atualizada (JFA). Quando utilizar outra tradução neste sítio isso será indicado através da abreviatura: KJA (King James Atualizada), FL (Frederico Lourenço), BJ (Bíblia de Jerusalém).


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O QUE É A SEPTUAGINTA OU LXX E QUAL A SUA RELAÇÃO COM OS LIVROS DEUTEROCANÔNICOS CATÓLICOS
Euler Sandeville Jr.
São Paulo, 05 de maio de 2016. Versão atual de 14 de dezembro de 2018.

A Septuaginta é uma tradução para o grego da Bíblia hebraica, a Mikrá. É atestada no século III depois de Cristo segundo alguns estudiosos, mas a tradição considera que foi realizada entre os séculos III e I antes de Cristo em Alexandria. A Septuaginta, supondo-a tal como é relatada na tradição, teria sido elaborada em Alexandria, uma cidade no delta do Nilo fundada em 331 a.C.. Tornou-se um dos portos mais importantes naqueles tempos, e sua Biblioteca reunia 700 mil rolos de papiro e pergaminhos.

A Septuaginta é assim chamada porque, pela tradição, teria sido realizada por 70 sábios hebreus, daí ser chamada também de LXX. Seja qual for a data em que o volume que dispomos foi concluído, é factível que tenha sido feita por e para judeus que já viviam há muito tempo no mundo greco-romano, em diversas províncias.

Os documentos mais antigos dessa tradução remontam ao século III depois de Cristo, e muitas questões são levantadas em torno da existência ou não da Septuaginta fechada antes de Cristo. Eram muitas as cidades e colônias com sinagogas e comunidades judaicas que, vivendo por gerações longe da judeia, já não tinham contato com muitas das tradições dos seus antepassados, de modo que considero provável que tenham havido traduções parciais para o grego, sobretudo da Lei, desde a época do exílio ou do retorno do exílio.

Se de fato, antes dos tempos de Cristo, foi completada a tradução integral dos livros sagrados hebreus para o grego e reunidos em uma única coleção de livros, é factível que ao fazerem essa tradução incluíram livros de uso comum pelos judeus que viviam nessas colônias, mas que não eram aceitos pelos que viviam na Judeia. Pelo menos, os chamados deuterocanônicos estão presentes nas cópias mais antigas disponíveis (século III depois de Cristo) da Septuaginta. Esses livros foram escritos já em grego, fora da judeia, no período interbíblico (entre os dois Testamentos), e não eram reconhecidos como Escritura na judeia. Certamente já circulavam antes dos tempos de Jesus.

Podemos resumir assim:

  • Os judeus no mundo greco-romano traduziram do hebraico para o grego a Mikrá (Tanakh) acrescentando vários textos e livros, resultando em 51 livros, formando a Septuaginta.
  • Os acréscimos, geralmente escritos em grego e não em hebraico, não foram aceitos pelos judeus da Judeia, que mantiveram os 24 livros de sua tradição (os mesmos atuais 39 da tradição protestante).
  • Os católicos, quando a Igreja Católica ainda estava em formação, se basearam na Septuaginta, mas aceitaram apenas 46 de seus livros, resultando em 7 livros e algumas adições em Ester e Daniel, especialmente “História de Susana” e de “Bel e o dragão” a mais do que na da Tanakh e que não são aceitos pelos demais.

A Septuaginta, tenha sido reunida em sua forma final antes ou depois de Cristo, parece ser efetivamente a origem de algumas dessas diferenças entre católicos e judeus ou protestantes. Além de introduzir vários livros juntamente com os livros sagrados da Mikrá, também organizou de outro modo os livros já reconhecidos.

Além disso, a Septuaginta dividiu alguns livros que para os judeus formavam um único, como I e II Samuel, tal como os temos hoje nas traduções cristãs católicas e protestantes. Mas, como vimos, incluiu vários outros, usados pelos judeus do mundo greco-romano, resultando em 51 livros, embora nem todos tenham sido depois aceitos pelos católicos. Daí resultar em 24 livros na Mikrá, em 39 livros na Bíblia protestante, e em 46 livros na Bíblia católica.

A Igreja Católica em formação reconheceu os livros que passaram a ser considerados deuterocanônicos (porque não integraram o primeiro cânone) como parte da Bíblia no Concílio de Roma em 382 d.C., de Hipona em 393 d.C., III Concílio de Cartago em 397, e especialmente no Concílio de Trento, iniciado em 1546.

Os protestantes voltaram ao cânon judaico para o Antigo Testamento. Adotaram o cânone hebraico tanto por entenderem que os deuterocanônicos continham certas contradições com a fé, quanto por desejarem assumir uma postura de fidelidade ao cânon judaico, entendendo que Deus lhes havia confiado a guarda das Escrituras antigas até a vinda do Messias. Esta é também a minha posição.

Lutero, considerando que esses livros tinham importância como literatura histórica, mas não eram inspirados, ainda incluiu os deuterocanônicos como apêndice na sua tradução da Bíblia para o alemão. De fato, alguns desses livros têm valor histórico, e eu considero particularmente bonitos a Sabedoria de Salomão e o Eclesiástico (não confundir com o Eclesiastes, canônico).

Vejamos então com relação ao Antigo Testamento:

  • o cânone da Mikrá, com 24 livros, já é atestado através da menção como a Lei, os Profetas e os Escritos nos tempos de Jesus;
  • A Igreja Católica em formação incluiu os livros que passou a chamar de deuterocanônicos (apócrifos para os demais) em igualdade ao lado dos canônicos como parte da Bíblia no Concílio de Roma em 382 d.C., de Hipona em 393 d.C., III Concílio de Cartago em 397, e especialmente no Concílio de Trento, iniciado em 1546 resultando em 46 livros e alguns acréscimos;
  • Os católicos, quando a Igreja Católica ainda estava em formação, se basearam de modo crescente na Septuaginta, mas aceitaram apenas 46 de seus livros, resultando em 7 livros e algumas adições em Ester e Daniel, especialmente “História de Susana” e de “Bel e o dragão” a mais do que na da Tanakh e que não são aceitos pelos demais.
  • (São) Jerônimo, de Estridão (cerca de 347 a 420), mais ou menos pela mesma época da inclusão dos deuterocanônicos no cânon católico os considerava apócrifos mostrando que não havia consenso nessa inclusão já em tempos antigos.
  • os protestantes voltaram ao cânone hebraico, mantendo a divisão em 39 livros. Esses 39 livros (ou 24 conforme sejam organizados) são comuns a judeus, católicos e protestantes.


      








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