SALMO 19 (2. A PALAVRA DE DEUS E A ORAÇÃO)

MEDITAÇÕES A PARTIR DO SALMO 19
Euler Sandeville Jr.
São Paulo, 08 de maio de 2016

 

2. a Palavra de Deus e a oração

 

A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos simples.
Os preceitos do Senhor são retos, e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e alumia os olhos.
O temor do Senhor é limpo, e permanece para sempre; os juízos do Senhor são verdadeiros e inteiramente justos.
Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o que goteja dos favos
(Salmo 19.7-10).

 

Após haver contemplado as obras de Deus, o salmista volta-se para a Palavra do Senhor. No “livro” sem palavras da natureza, podemos conhecer muitos dos atributos e da bondade de Deus, sua sabedoria e cuidado, sua justiça e poder. Essa imensidão do Senhor, a repetição de seus ciclos que sempre se renovam, como lembra o profeta Jeremias, mesmo em sua maior aflição: “A benignidade do Senhor jamais acaba, as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade” (Lamentações 3.22-23). Sabemos então diante de quem estamos. Bem nos indaga o Senhor:

Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés; que casa me edificareis vós? E qual é o lugar do meu repouso? Porque a minha mão fez todas estas coisas, e todas vieram a existir, diz o SENHOR, mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra
(Isaías 66.1-2).

 

De fato, o que acrescentaremos a יהוה (YHWH)? Qual a presunção humana de Lhe defendermos, ou O abrigarmos, ou Lhe construirmos lugares de adoração? É seu amor e sua misericórdia que nos permitem isso. Porém, Sua vontade é outra, Ele é quem quer e decide habitar com o que é humilde de coração e segue Sua Palavra. Foi isso o que anteviu o salmista.

Ao contemplar as Escrituras, o salmista constata que, como a natureza, a Lei do Senhor é perfeita, restaura, alegra, ilumina; é simples, justa, verdadeira. E o que é a Lei do Senhor? É um modo pelo qual os antigos se referiam ora aos livros da Lei propriamente dita, ora ao conjunto dos livros proféticos e da Lei, como parece ser o caso aqui. A Lei do Senhor é a Palavra de instrução que nos deixou, reunidas na Bíblia. A alegria que vem dessas constatações é imensa, de modo que não há nada que se possa comparar à Sua Palavra, à Sua instrução. Mesmo os frutos mais deliciosos da natureza e do nosso trabalho, nada tem esse efeito no coração do salmista, e no coração daqueles que amam a Deus.

Também por eles o teu servo é advertido; e em os guardar há grande recompensa.
Quem pode discernir os próprios erros?
Purifica-me tu dos que me são ocultos.
Também de pecados de presunção guarda o teu servo, para que não se assenhoreiem de mim;
então serei perfeito, e ficarei limpo de grande transgressão.
Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face,
Senhor, Rocha minha e Redentor meu!
(Salmo 19.11-14)

 

Daí porque ele se volta em oração a Deus. Contemplar a obra de suas mãos, escutar e meditar nas suas Palavras, levam o salmista não só a um estado de alegria e adoração, mas a um melhor conhecimento de si mesmo, que se expressa diante do Criador em uma a uma postura de segui-lo, obedecer-lhe, deixar-se trabalhar pela vontade do Senhor. Na presença de Deus, em todo esse cântico, o salmista reconhece a Deus e a Ele entrega seu viver, diante Dele se reconhece como é, e confessa: “Senhor, Rocha minha e Redentor meu!”.

Assim, a observação da natureza, o estudo da Palavra de Deus e a oração, que o salmista menciona com a mesma admiração, resultam para ele em adoração a Deus e no reconhecimento Dele em sua vida. Como se vê, resultam também em uma consciência mais profunda de nós mesmos, e de como nos inserimos nessa criação. Deus não vê a aparência, então em sua adoração ao único Deus verdadeiro, em sua presença, confrontando-se com Sua Palavra, o salmista vê sua necessidade de perdão, e diante da dificuldade de reconhecer seus enganos mais sutis, pede a Deus que limpe seu coração. Faz bem: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus” (Mateus 5.8).

São muitos os trechos em que as Escrituras falam da nossa disposição de coração. Inclusive nos advertem de quando nossa necessidade de seguir a Deus pode tornar-se apenas uma superficialidade religiosa sem fundamento, que então nos afasta de Deus. Porque Deus não contempla o coração soberbo, nem as orações dos arrogantes e injustos sobem á Sua presença. Mas o que se chega a Deus com coração humilde e contrito, O adora em espírito e verdade como ensinou Jesus, aquele que se aparta de seus males e os confessa e deixa, e segue ao Senhor, como ao salmista, este experimentará o conhecimento de Deus.

É no conhecimento de Deus que sua Palavra torna-se viva, verdadeira e eficaz. Toda a Palavra de Deus nos mostra um caminho mais excelente, muito diverso do que habitualmente vemos por aí. É necessário abrirmos a mente e o coração para entendê-lo, e então segui-lo.

Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite. Por que gastais o dinheiro naquilo que não é pão, e o vosso suor, naquilo que não satisfaz? Ouvi-me atentamente, comei o que é bom e vos deleitareis com finos manjares.
Inclinai os ouvidos e vinde a mim; ouvi, e a vossa alma viverá; porque convosco farei uma aliança perpétua, que consiste nas fiéis misericórdias prometidas a Davi. Eis que eu o dei por testemunho aos povos, como príncipe e governador dos povos. Eis que chamarás a uma nação que não conheces, e uma nação que nunca te conheceu correrá para junto de ti, por amor do SENHOR, teu Deus, e do Santo de Israel, porque este te glorificou.
Buscai o SENHOR enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao SENHOR, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar. Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR, porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.
Porque, assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei.
Saireis com alegria e em paz sereis guiados; os montes e os outeiros romperão em cânticos diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas
(Isaías 55.1-12).

 

 

 

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s